sábado, 26 de abril de 2008

Somos Espantosamente, Maravilhosamente Feitos

O olho, mais ou menos do tamanho de uma bola de pingue-pongue, pesa menos de 15 gramas. Os músculos responsáveis pelo movimento das lentes oculares movem-se 100 mil vezes por dia para que possamos olhar para tudo o que nos chama a atenção. Teríamos de andar 100 quilômetros, todos os dias, para que os músculos das pernas fizessem a mesma quantidade de exercício. Cada nervo óptico é composto de 1,25 milhão de fibras.

Nos 250 gramas de medula vermelha que existem nos nossos ossos, as células sangüíneas são criadas numa velocidade de 2 milhões por segundo, para substituir as células que são destruídas na mesma proporção.
No cérebro há 10 milhões de células nervosas, e cada uma delas tem, potencialmente, de 20 a 25 mil conexões com as outras células nervosas.
O nariz pode captar 10 mil odores diferentes, embora o órgão responsável pelo olfato, localizado na parte superior da cavidade nasal, não passe de dois pedacinhos de membrana com vários milhões de receptores.
O revestimento interno do estômago é uma mucosa na qual existem 35 milhões de glândulas que segregam suco gástrico para "quebrar" proteínas e carboidratos.
Nos 300 milhões de pequenas bolsas de ar (alvéolos) dos pulmões, o dióxido de carbono leva de 1/3 a 3/4 de segundo para ser substituído por oxigênio, dependendo da nossa atividade no momento.
Os rins filtram 500 galões de sangue todos os dias.
O coração, menor do que um punho fechado bombeia o sangue dia e noite através de uma rede de vasos sangüíneos que, calcula-se, tem quase 100 quilômetros de comprimento. Quando uma pessoa está em repouso, ele bombeia 66 galões por hora. Em 70 anos, são quase 60 milhões de galões de sangue.
Quando um atleta está no auge do esforço, essa média aumenta seis vezes. Surpreendentemente, o coração realiza esse feito com a potência de dois pequenos motores elétricos, semelhantes aos que são usados em brinquedos. Ele bate 100 mil vezes por dia sem descansar, durante toda a vida.
Só o fígado, às vezes chamado de "indústria química do corpo", é capaz de realizar mais de 500 funções diferentes, incluindo a produção de mais de mil enzimas essenciais para a boa digestão e para a saúde do metabolismo.
E como é bela a organização do corpo! Cada parte de cada célula - o corpo humano tem em média 50 trilhões de células - e cada célula como um todo realiza uma função especial. Cada tecido, por sua vez, é especializado em determinadas tarefas. Cada órgão e cada sistema são especializados em determinadas operações, necessárias ao corpo como um todo. Tudo é intrincadamente integrado. Quando, em alguma parte do corpo, alguma coisa perturba a situação existente, outras partes compensam, para restaurar a situação original, ajustando-se para manter um estado constante, ou homeostase.
Imagine que você está parado numa esquina, conversando com alguém que encontrou por acaso. De repente, você olha para o relógio e percebe que está atrasado para voltar ao escritório ou para pegar o filho na escola. Nesse instante, seu corpo muda de marcha para permitir que você corra até o escritório ou até o estacionamento. Você passa a respirar mais depressa, o coração começa a bater mais rápido, a pressão sangüínea sobe. Tudo isso para levar mais oxigênio aos músculos, para que você consiga correr. Quando chegar ao seu destino, você estará transpirando, uma reação do corpo ao calor gerado pelos músculos. Se não fosse dissipado, esse calor faria com que a albumina uma proteína que existe no sangue e nos músculos - ficasse dura, como a clara de um ovo cozido. Quando você pára, a respiração e os batimentos cardíacos ficam mais lentos e a pressão sangüínea cai.
Se você já sofreu um acidente ou algum outro ferimento sério, pense no milagre da cura e da recuperação: você não sangrou até morrer; apesar de ter parte do corpo aberta, os ossos calcificaram outra vez e os cortes se fecharam; você conseguiu andar de novo; os olhos, que estavam inchados e roxos, voltaram a ter o tamanho e a cor normais. Em segundos, as substâncias químicas enviaram um sinal de alerta e as células se alinharam como um exército para se defender contra as bactérias e os vírus invasores que ameaçaram sua vida.
Como músicos tocando numa orquestra, os músculos se contraem em conjunto e erguem os ossos para que possamos levantar, andar, dançar, pular ou falar. O simples ato de levar a perna para frente exige que mais de quarenta músculos se movimentem em uníssono, "como homens no convés, puxando um canhão". Nossos primeiros passos pela manhã mobilizam 200 músculos. Abrir a boca para cumprimentar alguém com um "oi" significa coordenar intrincadamente os músculos dos lábios, do maxilar, da língua, do palato, da faringe, da laringe e do sistema respiratório, que, no total, realizam mais de 500 contrações por segundo.
Considere também a plasticidade do corpo, as mudanças que sofre continuamente, durante toda a vida. Apesar de termos no início da vida um traçado genético, todos os dias são cheios de mudanças. Não somos "uma estrutura anatômica congelada, mas, literalmente, um rio de inteligência, informação e energia que se renova constantemente", diz o médico Deepak Chopra. A cada segundo da vida nós nos refazemos, com muito mais facilidade do que se trocássemos de roupa. Por exemplo: em menos de um ano, substituímos cerca de 98% de todos os átomos do nosso corpo:

um novo fígado a cada seis semanas
um novo esqueleto a cada três meses
um novo revestimento estomacal a cada cinco dias
uma nova pele por mês

A matéria-prima do DNA, que, como observa Chopra, "contém a memória de milhões de anos de tempo de evolução", vai e vem a cada seis semanas. Sabendo disso, reconhecendo o milagre do próprio corpo, talvez você também faça a pergunta que a novelista Janet Burroway se fez:
Minha pergunta é: por que - mesmo depois de meio século, e já sem capacidade de se reproduzir - um corpo nem tão bem cuidado assim tem ainda entusiasmo para sobreviver... bombeia sangue e anticorpos, organiza-se para a coagulação, osmose, limpeza e criação, recupera-se completamente, restaurando a mobilidade, o que nem meia tonelada de tecnologia conseguiria fazer?
Por que, pergunto, culpá-lo com azedume por trivialidades, como já fiz: por ter carne demais neste ponto, músculos de menos naquele, por produzir esta ruga, aquele papinho, aquele cabelo branco ou esta textura? Corpo querido! Ele realiza seu trabalho incessante, recebendo tão poucos agradecimentos!

Extraído de Descubra a Sabedoria do Corpo, de Mirka Knaster, Editora Cultrix.


2 comentários:

Alice Satiko disse...

Estou amando seu blog, tenho 47 anos, e fico admirada pela sua idade, quanto desconhcemos sobre nós mesmos. Ficarei esperando com ansiedade sobre novos assuntos.
Abraços

Guilherme disse...

Oi querida, tbem?Que ótimo que está gostando Alice Satiko!!!fico muito feliz em saber que as pessoas estão tirando grande proveito de minhas mensagens!!!
Um grande abraço!!!

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